Cartas do Futuro

Cartas do Futuro

Uma visão panorâmica de sociedades e civilizações.

CÂMERA DANIFICADA

Arquivado em: Presentes por Hisashi Imafuku em 16 de Dezembro de 2007

Revê-la

um pouco mais cheinha

no supermercado predileto,

da minha cidade natal,

vestido que eu preferia,

tiara que sempre aconselhei…

Nas mãos, uma gôndola e requeijão…

A minha memória enguiça,

o meu olhar embaça,

sem saber, o fotômetro,

onde está mesmo a felicidade,

à focalizar.

SUBLIME RAIVA

Arquivado em: Futuros por Hisashi Imafuku em 11 de Dezembro de 2007

Há uma dor em nós,

bem maior

que a dor que provocamos.

É uma dor perdida,

uma dor que esquecemos.

Que de tão grande,

e nós,

tão pequenos;

a vista ainda não alcançava

a dimensão,

a imensidão,

a vastidão

das periferias;

as negras nuvens

se formando

rapidamente ao

leste.

Peste!

A morte é breve,

é só um suspiro.

A morte é uma constante,

é um viajar.

A morte é pequena,

é um instante.

A morte não é pena

se for um alívio.

FINADO

Arquivado em: Passados por Hisashi Imafuku em 2 de Novembro de 2007

Os homens
somos pretensiosos
por natureza.

Passam-se anos-luzes
e ao nascer,
ainda feto,
credita
que sabe mais
do que sabe menos.

Passam-se séculos
e ao morrer,
discreto,
professa
que viveu mais
do que viveu menos.

Alguns anos morto,
e ao relembrar,
desafeto,
confesso
que fora idiota mais
do que idiota menos.

PALIAR

Arquivado em: Futuros por Hisashi Imafuku em 18 de Outubro de 2007

Sorriso incontido,

chutes espontâneos ao deitar,

mão súbita que tapeia,

fome após o jantar,

hérnia inventada,

uma sorte a lamuriar,

acordar chorando,

vultos saindo do ar,

tremedeiras ao vento,

briga de vizinhos ao luar,

lágrimas sobre o óculo,

mãe num canto a soluçar,

paixão por Monroe na TV,

pai dormindo na porta do bar.

Sinais do tempo ,

vidas a desmoronar.

Eis que a vida,

é mesmo, um descambar.

DELETÉRIO

Arquivado em: Futuros por Hisashi Imafuku em 15 de Setembro de 2007

Na minha raiva

é que paira

o meu amor.

O meu medo,

a qual não cedo,

é a minha bravura.

A vida é breve

e não se atreve,

se deixamos de viver.

Então me calo

como um fado

a acontecer.

Desisto da vida,

ela que seja atrevida,

ao me prender.

E como fosse

bastante doce

o meu caminho,

é num sonho

que componho

meu entardecer.

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